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O outono do patriarca

São Paulo, segunda-feira, 27 de julho de 2009

TENDÊNCIAS/DEBATES

O outono do patriarca

MARCO ANTONIO VILLA



O presidente Lula tem razão: Sarney não é igual à maioria dos brasileiros. Ainda bem. Quem é Sarney? Ele é o símbolo maior do atraso


NA PRESIDÊNCIA do Senado, José Sarney conseguiu o impossível: ser pior do que alguns dos seus antecessores, como Antonio Carlos Magalhães, Jader Barbalho e Renan Calheiros, que acabaram defenestrados. Todos negaram as acusações que pesavam sobre eles. Pareciam inabaláveis, tal qual Sarney.
Porém, o velho coronel do Maranhão está conseguindo se manter no cargo por mais tempo do que seus velhos amigos. Afinal, como disse o presidente Lula, ele não é igual a nós, ele tem uma história. Lula tem razão: Sarney não é igual à maioria dos brasileiros. Ainda bem. Quem é Sarney? José Ribamar Ferreira de Araújo Costa nasceu em 1930, ano da revolução que mudou o Brasil. Paradoxalmente, ele é o símbolo maior do atraso, do passado que nunca passa, da antirrevolução.
Fez a pequena política local até chegar, em 1958, ao Rio de Janeiro, como deputado federal, ainda jovem, eleito pela UDN. Participou pouco dos debates, nunca foi um bom orador. A voz soava mal, as ideias eram ultrapassadas e sem nenhuma novidade, o raciocínio era lento e era pobre sua linguagem gestual. Não tinha nada que o destacasse.
Na grave conjuntura de 1963-1964, raramente apareceu nos debates. Omitiu-se. Preferiu as sombras, aguardando hora mais tranquila. Candidatou-se ao governo do Maranhão em 1965 e venceu com o apoio dos novos donos do poder, os militares. Depois foi para o Senado -e lá ficou por quase 15 anos.
Se consultarmos os anais daquela Casa, raramente veremos Sarney participando de um debate. A sua preocupação central não eram os grandes problemas nacionais, nada disso. Seu pensamento e sua ação política estavam na província. Controlava as nomeações e os recursos orçamentários. Dessa forma, conservou sua força política local graças à influência que mantinha na capital federal.
Mas o coronel era hábil. Não queria ser um novo Vitorino Freire, o mandão que o antecedeu. Buscou dar um verniz intelectual ao poder discricionário que exercia na província. Isso pode explicar a publicação de romances e contos, a entrada para a Academia Brasileira de Letras e o estabelecimento de amplo círculo de relações sociais com intelectuais e jornalistas.
No Sul do país mostrava seu lado cosmopolita, falando de poesia e filosofia. Na província voltava ao natural, não precisava de nenhum figurino: era o senhor do baraço e do cutelo. Que digam os oposicionistas -e foram tantos- que sofreram a violência do mandão local. Lá, durante mais de 40 anos de poder, o interesse público nunca esteve separado do interesse da família Sarney e de sua parentela.
Por um acaso da história, acabou presidente da República. Durante os comícios da Aliança Democrática, em 1984, ficava escondido no palanque. Quando era anunciada a sua presença, era vaiado impiedosamente. Afinal, servira fielmente o regime militar por 20 anos.
A sua Presidência foi um desastre completo. Três planos de estabilização econômica. E todos fracassaram. Terminou o governo com a inflação próxima de uma taxa de 100% ao mês. Omitiu-se quanto aos principais problemas. No ocaso do governo foi instalada no Congresso Nacional uma CPI para apurar casos de corrupção, com graves acusações à gestão presidencial e a sua família, em especial seu genro, Jorge Murad.
O desprestígio era tão acentuado que nenhum candidato às eleições presidenciais de 1989 -e eram mais de uma dúzia- buscou seu apoio. Mas o oligarca sobreviveu. Buscou um mandato de senador no recém-criado Amapá. Precisava como nunca da imunidade parlamentar.
O tempo passou e a memória nacional foi se apagando, como sempre. O oligarca, em uma curiosa metamorfose, transformou-se em estadista. Encontraram até qualidades no seu período presidencial. Não tinha sido um indeciso. Não, nada disso. Fora um conciliador, avalista da transição para a democracia.
No governo Lula, mandou mais do que na sua Presidência. Conseguiu até depor o governador Jackson Lago, que teve a ousadia de vencer nas urnas a sua filha. A sua cunhada, presidente do TRE, anulou a eleição e, pior, obteve a chancela do TSE.
Contudo, não há farsa que perdure na história. O que foi revelado pela mídia nacional não é nenhuma novidade para os maranhenses. Lá, o rei está nu há muito tempo.
No encerramento do semestre legislativo, Sarney discursou para um plenário vazio. Não houve palmas ou apupos. Desceu e caminhou pelo corredor, silenciosamente. Nas galerias não havia um simples espectador. O velho oligarca estava só. Parou e, como se dissesse adeus, dirigiu-se para seu gabinete: a tragicomédia está chegando ao fim.

MARCO ANTONIO VILLA, 54, é professor de história da UFScar (Universidade Federal de São Carlos) e autor, entre outros livros, de “Jango, um Perfil”.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

A SOS Habitat – Acção Solidária comunica que o Governo de Angola, mais uma vez, na última semana, desalojou à força cerca de 15.000 pessoas residentes na extrema periferia de Luanda.

Esse acto de desalojamento forçado não foi antecedido do realojamento condigno dessas pessoas que, assim, são vitimas de violação dos direitos humanos relacionados com a habitação.
Apelamos para que, por favor, procedam à mais ampla divulgação do comunicado da SOS Habitat em anexo.
Exigimos ao Governo formado pelo MPLA que, sem condições, garanta a todas e todos o respeito pelos direitos humanos.
Exigimos à Procuradoria Geral da República e a todas as instituições da justiça que procedam contra todas e todos aqueles que violem os direitos humanos, sejam quem forem e independentemente  de serem ou não titulares de cargos publicos a qualquer nível dos órgãos do Estado e do Governo de Angola.
As causas justas, a prazo, são sempre vencedoras.
Luis Araújo
Coordenador da Direcção
SOS Habitat – Acção Solidária
tel +244 912 507 343

PS: Alguém tem mais informações sobre isso? Recebi esse e-mail e achei que é interessante socializar. 15.000 desalojados??

Não, a matéria que segue não é uma piada de mal gosto… além de roubar as riquezas e, principalmente, explorar nossa mão de obra, agora também mandam seu lixo para cá. Para eles deve ser uma solução genial…

“O Ministério Público Federal (MPF) solicitou ao Ministério das Relações Exteriores que peça providências ao Reino Unido para o retorno das 740 toneladas de lixo doméstico enviadas ao Brasil.

A subprocuradora-geral da República, Sandra Cureau, também deu prazo de 10 dias para que o governo brasileiro envie informações sobre as medidas adotadas no caso da importação ilegal de resíduos.

O lixo chegou ao Brasil entre fevereiro e maio deste ano. No começo deste mês, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) identificou, no Porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, 40 contêineres com resíduos domésticos, dentre os quais, materiais nocivos como pilhas, seringas, cartelas de medicamentos e embalagens de preservativos.

A empresa importadora havia informado originalmente que a carga era composta por polímeros de etileno e resíduos plásticos. O Ibama, então, encaminhou denúncia ao Ministério Público.”

Tirei daqui.

Golpe em Honduras

Reflexões do companheiro Fidel: UM GESTO QUE NÃO SERÁ ESQUECIDO

Faço uma parada no trabalho que estava elaborando há duas semanas sobre um episódio histórico, para me solidarizar com o presidente constitucional de Honduras, José Manuel Zelaya.

Foi impressionante vê-lo através de Telesul, arengando o povo de Honduras. Denunciava energicamente a burda negativa reacionária de impedir uma importante consulta popular. Essa é a “democracia” que defende o imperialismo. Zelaya não tem cometido a menor violação da lei. Não realizou um ato de força. É o Presidente e Comandante Geral das Forças Armadas de Honduras. O que ali acontecer será uma prova para a OEA e para a atual administração dos Estados Unidos.

Ontem foi realizada uma reunião da ALBA em Maracai, no Estado venezuelano de Arágua. Os líderes latino-americanos e caribenhos que ali falaram, brilharam tanto por sua eloqüência como por sua dignidade.

Hoje escutava os sólidos argumentos do presidente Hugo Chávez denunciando a ação golpista através da Venezuelana de Televisão.

Ignoramos o quê acontecerá nesta noite ou amanhã em Honduras, mas a conduta valente de Zelaya passará à história.

Suas palavras nos faziam lembrar o discurso do presidente Salvador Allende enquanto os aviões de guerra bombardeavam o Palácio Presidencial, onde morreu heroicamente em 11 de setembro de 1973. Desta vez víamos outro Presidente latino-americano entrando com o povo em uma base aérea para reclamar as cédulas para uma consulta popular, confiscadas espuriamente.

Assim age um Presidente e Comandante-geral.

O povo de Honduras jamais esquecerá esse gesto!

Fidel Castro Ruz

25 de junho de 2009

20h15

Reflexões do companheiro Fidel: UM ERRO SUICIDA

Na reflexão escrita na noite da Quinta-feira 25, há três dias, disse: “Ignoramos o que acontecerá esta noite ou amanhã em Honduras, mas o comportamento valoroso de Zelaya passará à história.”

Dois parágrafos antes tinha assinalado: “… Aquilo que lá aconteça será uma prova para A OEA e para a actual administração dos Estados Unidos.”

A pré-histórica instituição interamericana se tinha reunido no dia seguinte em Washington, e em uma apagada e fraca resolução prometeu realizar as gestões pertinentes imediatamente para procurar uma harmonia entre as partes em conflito. Quer dizer, uma negociação entre o golpistas e o Presidente Constitucional de Honduras.

O alto chefe militar, que continuava a comandar as Forças Armadas Hondurenhas, fazia pronunciamentos públicos em discrepância com as posições do Presidente, enquanto só de um modo meramente formal reconhecia a sua autoridade.

Não precisavam os golpistas outra coisa da OEA. Não lhes importou nada à presença de um grande número de observadores internacionais que viajaram a esse país para dar fé de uma consulta popular, aos quais Zelaya falou até altas horas da noite. Antes do amanhecer de hoje eles lançaram ao redor de 200 soldados profissionais bem treinados e armados contra a residência do Presidente, os que separando brutalmente a esquadra de Guarda de Honra seqüestraram Zelaya, quem dormia nesse momento, foi conduzido à base aérea, foi montado pela força num avião e o transportam a um aeroporto na Costa Rica.

Às 8 e 30 da amanhã, conhecemos por Telesur a notícia do assalto à Casa Presidencial e o seqüestro. O Presidente não pôde assistir ao acto inicial da consulta popular que aconteceria este domingo. Era desconhecido o que tinham feito com ele.

A emissora da televisão oficial foi silenciada. Desejavam impedir a divulgação prematura da traiçoeira acção através de Telesur e Cubavisión Internacional, que informavam dos factos. Suspenderam por isso os centros de retransmissão e acabaram cortando a electricidade a todo o país. Ainda o Congresso e os altos tribunais envolvidos na conspiração não tinham publicado as decisões que justificavam o conluio. Primeiro levaram a cabo o inqualificável golpe militar e depois o legalizaram.

O povo acordou com os factos consumados e começou a reagir com grande indignação.

Não se conhecia o destino de Zelaya. Três horas depois, a reacção popular era tal que foi visto mulheres batendo com o punho aos soldados, cujos fuzis quase caiam das suas mãos por puro desconcerto e nervosismo. Inicialmente os seus movimentos pareciam os de um estranho combate contra fantasmas, depois tentavam cobrir com as mãos as câmaras de Telesur, apontavam tremendo os fuzis contra os repórteres, e às vezes, quando as pessoas avançavam, os soldados recuavam. Enviaram transportadores blindados com canhões e metralhadoras. A população discutia sem medo com os soldados dos blindados; a reacção popular era surpreendente.

Ao redor das 2 horas da tarde, em coordenação com os golpistas, uma maioria domesticada do Congresso depôs Zelaya, Presidente Constitucional de Honduras, e designou um novo Chefe de Estado, afirmando ao mundo que aquele tinha renunciado, apresentando uma falsificada assinatura. Minutos depois, Zelaya, desde um aeroporto na Costa Rica, informado tudo o acontecido e desmentiu categoricamente a notícia da sua renúncia. Os conspiradores fizeram o ridículo perante o mundo.

Muitas coisas aconteceram hoje. Cubavisión dedicou-se completamente a desmascarar o golpe, informando o tempo todo a nossa população.

Houve factos de carácter totalmente fascista que não por esperados deixam de surpreender.

Patrícia Rodas, a ministra de Relações Exteriores de Honduras, foi depois de Zelaya o objectivo fundamental do golpistas. Outro destacamento foi enviado a sua residência. Ela, valente e decidida, actuou rapidamente, não perdeu um minuto em denunciar por todos os meios o golpe. O nosso embaixador tinha estabelecido contacto com Patrícia para conhecer a situação, como o fizeram outros embaixadores. Num momento determinado pediu aos representantes diplomáticos da Venezuela, da Nicarágua e Cuba reunir-se com ela, que, ferozmente acossada, precisava de protecção diplomática. O nosso embaixador, que desde o primeiro instante estava autorizado a oferecer o máximo apoio à Ministra constitucional e legal, partiu para visitá-la na sua própria residência.

Quando estavam já na sua casa, o comando golpista enviou o Major Oceguera para prendê-la. Eles se colocam diante da mulher e lhe dizem que está sob a protecção diplomática, e só é pode mover em companhia dos embaixadores. Oceguera discute com eles e o faz de maneira respeitosa. Minutos depois penetram na casa entre 12 e 15 homens uniformizados e encapuzados. Os três embaixadores se abraçam a Patrícia; os mascarados actuam de forma brutal e conseguem separar os embaixadores da Venezuela e Nicarágua; Hernández a pegou tão fortemente por um dos braços, que os mascarados arrastaram a ambos até um furgão ; levam-nos à base aérea onde conseguem separá-los, e levam-na com eles. Estando ali detido, Bruno que tinha notícias do sequestro, se comunica com ele através do telemóvel; um mascarado tentou arrebatar-lhe rudemente o telefone, o embaixador cubano que já tinha sido batido em casa de Patrícia, grita-lhe: “Não me empurre, Porra,! ” Não me lembro se a palavra que pronunciou fosse alguma vez usada por Cervantes, mas sem dúvida o embaixador Juan Carlos Hernández enriqueceu a nossa língua.

Depois o deixaram numa rodovia longe da missão e antes de abandoná-lo lhe disseram que, se falava, poderia acontecer-lhe alguma coisa pior. “Nada é pior do que a morte! “, respondeu-lhes com dignidade, “e não por isso sinto medo de vocês”. Os vizinhos da área o ajudaram a voltar à embaixada, desde onde imediatamente comunicou-se mais uma vez com Bruno.

Com esse alto comando golpista que não se pode negociar, é necessário exigir-lhe a renúncia e que outros oficiais mais jovens e não comprometidos com a oligarquia ocupem o comando militar, ou não haverá jamais um governo “do povo, pelo povo e para o povo” em Honduras.

O golpistas, encurralados e isolados, não têm salvação possível se o problema se encara com firmeza.

Até a Senhora Clinton declarou já em horas da tarde que Zelaya é o único Presidente de Honduras, e os golpistas hondurenhos nem sequer respiram sem o apoio dos Estados Unidos.

De pijamas até há algumas horas, Zelaya será reconhecido pelo mundo como o único Presidente Constitucional de Honduras.

Fidel Castro Ruz

28 de junho de 2009

18h14

Vai entender…

Antes ele era um pedófilo bizarro, agora ele é o rei do pop.

Vai entender esse mundo.

Ninja

Pena que está em inglês, mas o seu Gmail pode ser muito melhor do que já é.

Você é um(a) ninja do Gmail?

“Quando olhamos por alto as pessoas, ressaltam suas diferenças: negros e brancos, homens e mulheres, seres agressivos e passivos, intelectuais e emocionais, alegres e tristes, radicais e reacionários. Mas à medida que compreendemos os demais as diferenças desaparecem e em seu lugar surge a unicidade humana: as mesmas necessidades, os mesmos temores, as mesmas lutas e desejos. Todos somos um.”

(Joyce em Finnegan’s Wake)

Resmindo:

“Estamos aqui pela humanidade.”

(lema da Comuna de Paris)

Sim. Eu odeio. Não é que com isso não tenha dó daqueles que passam frio… mas não acho que eles passem frio por não ter cobertor ou agasalho (embora também não os tenham). O problema é que eles não têm casa. E não têm emprego (muito menos trabalho) pra pagar aluguel, comprar um agasalho, um cobertor ou até quem sabe agulha e lã pra fazer uma linda blusa de tricô. Talvez não saibam mais fazer tricô… talvez um dia tenham conseguido um lindo barraquinho (no qual entrava muito vento e tinha um chão de terra batida nada acolhedor), mas talvez  a chuva (e haja chuva) tenha levado o barraco embora…

Mas então pra que campanha do agasalho? Diriam os bons samaritanos que é pra atenuar o sofrimento do outro… mas pergunto ao bom samaritano:  se você não tivesse comida, casa, trabalho, etc, o que esperaria do bom samaritano? Um agasalho??? Um mísero, esfarrapado e descartado agasalho??

Se eu fosse uma sofredora, com muitas crianças barrigudinhas com frio, ia querer sim um monte de cobertor, mas ia querer que no ano seguinte eu não precisasse pedir mais um agasalho por conta de mais um barrigudinho que chegou. Ia querer trabalho, casa, creche e tudo mais que tenho direito…

A campanha do agasalho existe porque alguns nobres cidadãos acham que esta é uma boa iniciativa.

Mas ela existe, também, porque outros muitos cidadãos acham que doando um agasalho velho se livram do imenso peso na consciência de ter mais do que os outros e mais do que precisam.

Por isso eu odeio a campanha do agasalho e congêneres.

pra você ficar em casa.

Epifania

Quando eu estou trabalhando para enriquecer meus patrões (eu sou meu maior patrão, mas arranjo outros por aí de vez em quando) costumo deixar minha mente rodando em background, fazendo sondagens sobre coisas corriqueiras da vida ou filosofias disponíveis para a legitimação da submissão à extração da mais-valia.

Não raro, porém, acontece o contrário. Se o prazer laboral não é grande o suficiente para preencher as fendas por onde entrariam a luz e o ar do trabalho não roubado, começa invariavelmente (a minha mente) rodar questionamentos. E questionando-se, acaba por chegar em coisas simples, banais, que não são nenhuma grande filosofia, mas pequenas epifanias que poderiam cheirar a cachaça.

“O cliente nunca tem razão”

Não quero afirmar que eu é que tenho a razão no lugar do cliente. Quero dizer é que existem dua razões diferentes e que, por questões ideológicas, considero a minha razão como a única válida. A razão do “cliente” vem de seu dinheiro e não de seus argumentos, que são direcionados por aquele e somente com vistas a obter mais dele. Sendo assim a epifania é verdadeira, conforme atesto.

Ele, “o cliente”, vê em seu dinheiro o cedro fundador de sua liberdade, ainda que tardia e emocional. Assim sendo, e considerando a rachadura capitalista fundamental entre valor de uso e valor de troca, percebemos que o dinheiro não compra produtos, mas a liberdade de seu dono em contraposição à de seu credor. E seu credor, o que vende o produzido, se convence que o preço é justo (porque, afinal, seu não há remédio, remediado está). O produto comprado, como tudo, terá seu fim cada vez mais apressado e sua necessidade progressivamente questionável. O que importa é que foi e possa ser comprado e que a roda capitalista possa e continue ser girada. Triste, não?

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