Essa semana foi semana de estréia de um monte de coisa que estou fazendo e vou fazer em 2009. E como meu tema-fixação é a tecnologia, queria compartilhar um filme que tenho usado em quase tudo que faço.
O filme em questão, é um documentário da National Geographic, de 2000, que conta a história de resistência do povo de uma ilha no pacífico chamada Bougainville. Se vocês procurarem sobre o filme na internet, até que vão achar bastante referências (em especial se a busca for pelo título em inglês: “Coconut Revolution”).
Eu, como sempre, prefiro assistir o filme sem saber absolutamente nada. Mas esse, como é bem difícil de ser encontrado, merece uma propaganda prévia. E, de quebra, uma reflexão…
O documentário mostra a resistência de um povo à dominação das colônias (Papua Nova Guiné, Aistrália, Inglaterra, Alemanha, aliás, muito cacique pra pouco índio). Essa resistência, potencializada por um bloqueio marítimo de sete anos, faz com que o povo de lá busque suas próprias soluções tecnológicas. E isso é impressionante.
Mas pensando um pouco mais sobre sobre o documentário, a tecnologia é (ou deveria ser) exatamente isso: o resultado da criatividade humana para solução dos seus problemas. E, acredito, durante muito tempo foi assim… a história da construção dos artefatos tecnológicos é reflexo de seu tempo e seu povo (não um reflexo passivo).
Foi há poucas centenas de anos que tudo mudou… que a tecnologia deixou de ser tecnologia e passou a ser tecnologia capitalista (é claro que a tecnologia deve ter sido muitas outras coisas antes). E quando a qualifico como capitalista, quero dizer que sua finalidade deixou de ser, prioritariamente, a solução de um problema da sociedade (heterogênea, claro) e passou a ser instrumento para aumentar a produtividade. E produtividade é a produtividade do trabalho: em menos tempo, uma alma produz 10 vezes mais e seu salário continua o mesmo… esse tema, aliás, merece aprofundamento em outro post.
Outra coisa que me tira o sono quando penso-falo de tecnologia é a questão do controle. Quem diria que alguém (um engenheiro talvez) escolheria uma tecnologia menos “eficiente”? Pois é, tem gente que diz que isso é normal (em especial o David Noble). Um dos critérios mais escamoteados da escolha tecnológica é o controle. O controle do trabalhador. As novas tecnologias são cada vez mais fura greve. Já pensou nisso?
Em outro filme, bem mais clássico e fácil de achar, “Tempos Modernos”, o pobre do operário ficou louco e conseguiu zonear toda a fábrica. Se ele estivesse em uma fábrica de hoje, o máximo que ele ia conseguir atrapalhar é o horário de almoço…
Bom, como o sono me chama e creio que o tema está introduzido… quem quiser aprofundar (ao vivo, e-mail, comentário), estamos aí!
Quem quiser gravar o filme, estamos aí também!
E pra quem é bom de inglês: The Coconut Revolution
Só pra terminar, dando notícias da Ilha (na verdade um conjunto de ilhas), sei que agora tem um hotel de luxo lá, mas não é recomendado, por ser perigoso.
E como desgraça pouca é bobagem, recentemente a Ilha voltou a ser notícia, pois as minúsculas ilhas que fazem parte de Bougainville estão desaparecendo… o nível do mar está subindo e, com isso, as hortas ficam impraticáveis. A população ainda está lá, mas passando fome e comendo o pão que o diabo amaçou… como será que estão resistindo?
Bougainville me lembra duas outras coisas além desse filme. A primeira coisa que me vem na cabeça trata-se de uma ironia-estratégia-de-marketing-com-invocação-de-cenário-bucólico, dos condomínios de altíssimo padrão chamados Bougainville. Há, acho, dois deles em Bertioga e outros em Peruíbe. Imagino que haja mais. A ideia é trazer um ar de polinésia.
A outra coisa que me vem à cabeça quando ouço a palavra Bougainville trata-se de um recurso não tecnológico desenvolvido pelo povo das Ilhas Salomão (das quais Bougainville fazia parte inicialmente). Os nativos das Ilhas Salomão, quando vão abrir uma nova área de plantio, não derrubam as grandes árvores com machado pois, para eles, demandaria muito esforço. Mas isso não signifique que essas árvores também não sejam mortas e retiradas. A solução encontrada por eles foi subir nas árvores e ficar em volta delas a gritar. Gritar e gritar e gritar. Gritam por dias contra a árvore. O grito, segundo eles, cria um sentimento de rejeição pela árvore. Tal sentimento, por dias, acaba por levar a árvore à morte e cai. Assim eles solucionam o problema de retirar também as grandes árvores do caminho.
Viu, pense bem antes de gritar. Sobretudo com as crianças.
Nossa, tadinha das árvores…
Bougainville é também uma planta, que chamamos aqui de Primavera… será que vem de lá? Ou será que foi o mesmo colonizador da Ilha que deu o nome à planta? Pelo menos alguém da família dele…
Esse filme e as legendas podem ser baixados no http://www.docverdade.blogspot.com ! Esse filme é muito bom!
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