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Turba

Acho que não é possível para um homem (branco, hetero, adulto etc) conceber/sentir o que as mulheres sofrem diariamente… a violência à espreita todo dia, toda hora, dentro de casa, na rua, no claro, no escuro, na televisão, na rádio, na igreja, no hospital… sou homem, só sei o que descrevem, o que fico sabendo, o que vejo… racionalmente – se queremos saber – sabemos, mas imagino que a sensação, o sentimento, se assemelhe a uma turba (pulverizada pelo mundo) te perseguindo e pronta para te atacar. Se a marcha das vadias tem algum mérito – e acho que tem todos – é inverter simbolicamente essa sensação.

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Por MARK McDONALD

DAEJEON, Coreia do Sul

A universidade mais prestigiada da Coreia do Sul está abalada com o recente suicídio de quatro alunos e de um popular professor.
As pressões acadêmicas podem ser ferozes no Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia da Coreia (Kaist, na sigla em inglês), e psicólogos escolares têm ampliado seus atendimentos desde os suicídios. O diretor da escola também revogou regras polêmicas que elevavam as taxas cobradas de alunos com notas baixas e exigiam que todas as aulas fossem em inglês.
Depois da morte do último aluno, no dia 7 de abril, o conselho discente do Kaist emitiu uma inflamada nota dizendo que “uma rajada de vento púrpura” havia soprado no campus.
“Estamos encurralados numa concorrência implacável que nos sufoca”, disse o conselho. “Nós não pudemos dedicar nem mesmo 30 minutos aos nossos colegas perturbados por conta das tarefas extraclasse. Já não temos mais a capacidade de rir livremente.”
Um estudo recente concluiu que os jovens sul-coreanos são -pelo terceiro ano consecutivo- o subconjunto mais infeliz entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O Ministério da Educação em Seul disse que 146 estudantes cometeram suicídio no ano passado, incluindo três no ensino fundamental.
Na universidade, preocupados psicólogos disseram que poucos estudantes buscaram ajuda devido aos exames finais.
“Lembre-se que os alunos aqui ainda são muito jovens”, disse Kim Mi-hee, psicólogo no centro de orientação do campus, estimando que cerca de 10% dos alunos do Kaist já buscaram ajuda. “Mas eles são tão inteligentes e brilhantes que realmente lidam muito bem com o estresse. Eles têm grande capacidade de percepção, então, quando recebem tratamento, evoluem rapidamente.”
Mas ainda não há um psiquiatra de plantão em tempo integral, e os professores do Kaist não recebem nenhum treinamento para identificar alunos deprimidos ou excessivamente estressados.
A Coreia do Sul como um todo ocupa o primeiro lugar em suicídios na OCDE. Suicídios de cantores, modelos, atores adorados, atletas, herdeiras milionárias e outras figuras tornaram-se quase uma rotina no país.
Mas os suicídios dos quatro alunos do Kaist chocaram o país de forma profunda e pungente (o professor, que supostamente era alvo de uma auditoria por desvio de verbas de pesquisa, se enforcou em 10 de abril).
Mais de 80% dos sul-coreanos cursam o ensino superior, e a concorrência por um lugar numa boa universidade -cujo diploma é garantia de uma vida próspera- começa no ensino médio. Em média, cada família gasta mais dinheiro em aulas particulares e cursinhos do que qualquer outro país participante da OCDE, preparando seus filhos para o vestibular nacional.
Mas o Kaist não participa desse exame e recruta quase todos os seus alunos em colégios especiais voltados para as ciências. Apenas cerca de mil calouros são admitidos por ano. Uma entrevista, as notas do ensino médio e recomendações de diretores são os fatores que mais contam.
Os alunos do Kaist são vistos como os futuros líderes da badalada economia tecnológica sul-coreana. Uma vez admitidos, seus estudantes se tornam tesouros nacionais. Por isso, muitos sentem o enorme fardo (às vezes, insuportável) de corresponder às expectativas do país.
Suh Nam-pyo, diretor do Kaist, é um renomado engenheiro mecânico e ex-professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês). Ele determinou que os cursos fossem ministrados em inglês, embora nem todos os alunos e professores sejam fluentes na língua.
Ele também exigiu que os alunos pagassem taxas adicionais por cada centésimo de ponto que suas notas médias ficassem abaixo de 3 (num sistema que vai até 4,3). Todos os alunos pagam uma taxa simbólica, mas, fora isso, o ensino é gratuito. Um semestre ruim pode custar milhares de dólares à família do estudante.
Essa regra causou profunda humilhação e ansiedade. Os estudantes com dificuldades repentinamente se sentiram perdedores. Alguns críticos acusaram o programa pelos recentes suicídios dos alunos.
“Eles sempre foram os primeiros em suas escolas, mas, quando chegam ao Kaist, talvez sejam o número 40 ou o número 400 e percebem que talvez não consigam acompanhar”, disse Oh Kyung-ja, professora de psicologia clínica na Universidade Yonsei. “A competição pode ser cruel.”

Folha de São Paulo, 30 de maio de 2011.

Luta pela água!

A luta pela água sempre me comove… o vídeo é muito bonito.

Esse http://hootsuite.com/ dá uma facilitada na vida internética…

O outono do patriarca

São Paulo, segunda-feira, 27 de julho de 2009

TENDÊNCIAS/DEBATES

O outono do patriarca

MARCO ANTONIO VILLA



O presidente Lula tem razão: Sarney não é igual à maioria dos brasileiros. Ainda bem. Quem é Sarney? Ele é o símbolo maior do atraso


NA PRESIDÊNCIA do Senado, José Sarney conseguiu o impossível: ser pior do que alguns dos seus antecessores, como Antonio Carlos Magalhães, Jader Barbalho e Renan Calheiros, que acabaram defenestrados. Todos negaram as acusações que pesavam sobre eles. Pareciam inabaláveis, tal qual Sarney.
Porém, o velho coronel do Maranhão está conseguindo se manter no cargo por mais tempo do que seus velhos amigos. Afinal, como disse o presidente Lula, ele não é igual a nós, ele tem uma história. Lula tem razão: Sarney não é igual à maioria dos brasileiros. Ainda bem. Quem é Sarney? José Ribamar Ferreira de Araújo Costa nasceu em 1930, ano da revolução que mudou o Brasil. Paradoxalmente, ele é o símbolo maior do atraso, do passado que nunca passa, da antirrevolução.
Fez a pequena política local até chegar, em 1958, ao Rio de Janeiro, como deputado federal, ainda jovem, eleito pela UDN. Participou pouco dos debates, nunca foi um bom orador. A voz soava mal, as ideias eram ultrapassadas e sem nenhuma novidade, o raciocínio era lento e era pobre sua linguagem gestual. Não tinha nada que o destacasse.
Na grave conjuntura de 1963-1964, raramente apareceu nos debates. Omitiu-se. Preferiu as sombras, aguardando hora mais tranquila. Candidatou-se ao governo do Maranhão em 1965 e venceu com o apoio dos novos donos do poder, os militares. Depois foi para o Senado -e lá ficou por quase 15 anos.
Se consultarmos os anais daquela Casa, raramente veremos Sarney participando de um debate. A sua preocupação central não eram os grandes problemas nacionais, nada disso. Seu pensamento e sua ação política estavam na província. Controlava as nomeações e os recursos orçamentários. Dessa forma, conservou sua força política local graças à influência que mantinha na capital federal.
Mas o coronel era hábil. Não queria ser um novo Vitorino Freire, o mandão que o antecedeu. Buscou dar um verniz intelectual ao poder discricionário que exercia na província. Isso pode explicar a publicação de romances e contos, a entrada para a Academia Brasileira de Letras e o estabelecimento de amplo círculo de relações sociais com intelectuais e jornalistas.
No Sul do país mostrava seu lado cosmopolita, falando de poesia e filosofia. Na província voltava ao natural, não precisava de nenhum figurino: era o senhor do baraço e do cutelo. Que digam os oposicionistas -e foram tantos- que sofreram a violência do mandão local. Lá, durante mais de 40 anos de poder, o interesse público nunca esteve separado do interesse da família Sarney e de sua parentela.
Por um acaso da história, acabou presidente da República. Durante os comícios da Aliança Democrática, em 1984, ficava escondido no palanque. Quando era anunciada a sua presença, era vaiado impiedosamente. Afinal, servira fielmente o regime militar por 20 anos.
A sua Presidência foi um desastre completo. Três planos de estabilização econômica. E todos fracassaram. Terminou o governo com a inflação próxima de uma taxa de 100% ao mês. Omitiu-se quanto aos principais problemas. No ocaso do governo foi instalada no Congresso Nacional uma CPI para apurar casos de corrupção, com graves acusações à gestão presidencial e a sua família, em especial seu genro, Jorge Murad.
O desprestígio era tão acentuado que nenhum candidato às eleições presidenciais de 1989 -e eram mais de uma dúzia- buscou seu apoio. Mas o oligarca sobreviveu. Buscou um mandato de senador no recém-criado Amapá. Precisava como nunca da imunidade parlamentar.
O tempo passou e a memória nacional foi se apagando, como sempre. O oligarca, em uma curiosa metamorfose, transformou-se em estadista. Encontraram até qualidades no seu período presidencial. Não tinha sido um indeciso. Não, nada disso. Fora um conciliador, avalista da transição para a democracia.
No governo Lula, mandou mais do que na sua Presidência. Conseguiu até depor o governador Jackson Lago, que teve a ousadia de vencer nas urnas a sua filha. A sua cunhada, presidente do TRE, anulou a eleição e, pior, obteve a chancela do TSE.
Contudo, não há farsa que perdure na história. O que foi revelado pela mídia nacional não é nenhuma novidade para os maranhenses. Lá, o rei está nu há muito tempo.
No encerramento do semestre legislativo, Sarney discursou para um plenário vazio. Não houve palmas ou apupos. Desceu e caminhou pelo corredor, silenciosamente. Nas galerias não havia um simples espectador. O velho oligarca estava só. Parou e, como se dissesse adeus, dirigiu-se para seu gabinete: a tragicomédia está chegando ao fim.

MARCO ANTONIO VILLA, 54, é professor de história da UFScar (Universidade Federal de São Carlos) e autor, entre outros livros, de “Jango, um Perfil”.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

A SOS Habitat – Acção Solidária comunica que o Governo de Angola, mais uma vez, na última semana, desalojou à força cerca de 15.000 pessoas residentes na extrema periferia de Luanda.

Esse acto de desalojamento forçado não foi antecedido do realojamento condigno dessas pessoas que, assim, são vitimas de violação dos direitos humanos relacionados com a habitação.
Apelamos para que, por favor, procedam à mais ampla divulgação do comunicado da SOS Habitat em anexo.
Exigimos ao Governo formado pelo MPLA que, sem condições, garanta a todas e todos o respeito pelos direitos humanos.
Exigimos à Procuradoria Geral da República e a todas as instituições da justiça que procedam contra todas e todos aqueles que violem os direitos humanos, sejam quem forem e independentemente  de serem ou não titulares de cargos publicos a qualquer nível dos órgãos do Estado e do Governo de Angola.
As causas justas, a prazo, são sempre vencedoras.
Luis Araújo
Coordenador da Direcção
SOS Habitat – Acção Solidária
tel +244 912 507 343

PS: Alguém tem mais informações sobre isso? Recebi esse e-mail e achei que é interessante socializar. 15.000 desalojados??

Não, a matéria que segue não é uma piada de mal gosto… além de roubar as riquezas e, principalmente, explorar nossa mão de obra, agora também mandam seu lixo para cá. Para eles deve ser uma solução genial…

“O Ministério Público Federal (MPF) solicitou ao Ministério das Relações Exteriores que peça providências ao Reino Unido para o retorno das 740 toneladas de lixo doméstico enviadas ao Brasil.

A subprocuradora-geral da República, Sandra Cureau, também deu prazo de 10 dias para que o governo brasileiro envie informações sobre as medidas adotadas no caso da importação ilegal de resíduos.

O lixo chegou ao Brasil entre fevereiro e maio deste ano. No começo deste mês, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) identificou, no Porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, 40 contêineres com resíduos domésticos, dentre os quais, materiais nocivos como pilhas, seringas, cartelas de medicamentos e embalagens de preservativos.

A empresa importadora havia informado originalmente que a carga era composta por polímeros de etileno e resíduos plásticos. O Ibama, então, encaminhou denúncia ao Ministério Público.”

Tirei daqui.